Quem precisa de educação financeira

Matéria retirada do site Isto é Dinheiro, mostrando que até as grandes empresas já descobriram a importância da educação financeira

Funcionários de grandes empresas e bancos são treinados no trabalho para cuidar melhor do próprio dinheiro

O consultor Reinaldo Domingos, presidente do Instituto de Educação Financeira, de São Paulo, vai direto ao assunto. “Se você não tiver o seu salário a partir de amanhã, por quanto tempo conseguirá manter o padrão de vida atual?” A pergunta incomoda, especialmente quem não tem uma poupança suficiente para suportar o desemprego por 12 meses, pelo menos, até conseguir recolocação. Infelizmente, este foi o caso para a maioria dos cinco mil trabalhadores que passaram pelo instituto nos últimos dois anos, em cursos subsidiados pelas empresas. Mais de 90% dos alunos responderam “não mais do que um ano”. Cerca de 70% estavam endividados ou comprometiam 100% da renda com os gastos mensais. É um problema sério. “Esse perfil de trabalhador está na UTI financeira. Eles não estão poupando”, diz Domingos.

Não é à toa, portanto, que 5% das 500 maiores empresas do País oferecem algum tipo de programa de educação financeira, estima o consultor. Está mais do que provado que problemas com o dinheiro afetam o desempenho no trabalho. A desordem no bolso tira o sono, a saúde, o bom humor e o rendimento de qualquer pessoa. Cientes de que a organização da conta bancária significa qualidade de vida, gera satisfação pessoal e melhora a produtividade, companhias como Petrobras, Net e Banco Santander, entre outras, proporcionam a seus funcionários cursos que vão desde o planejamento do orçamento pessoal até o investimento na bolsa de valores.

No caso do Santander, 2.090 gerentes participaram dos cursos disponíveis na intranet no ano passado. Os funcionários endividados são obrigados a seguir o mesmo caminho para receber apoio financeiro e colocar as contas em dia. “O conceito é trabalhar de dentro para fora. O colaborador tem que cuidar dele próprio. Se não sabe fazer a gestão do seu dinheiro, como irá fazer a dos clientes?”, diz o gerente de recursos humanos do banco, Ricardo Fenley.

Com atividades pela intranet, cursos presenciais ou informações pelo circuito interno de tevê, boa parte dos 15 mil funcionários da Net Serviços já passou por algum tipo de treinamento financeiro pessoal. Além de aumentar a produtividade dos que solucionam seus dramas com o dinheiro, essa prática tem outros reflexos positivos para a empresa, como um envolvimento maior do quadro de pessoal. “Quando o funcionário está mais consciente de seu orçamento, ele faz um link com os negócios da empresa e trabalha, por exemplo, para evitar o desperdício”, afirma o diretor-executivo de desenvolvimento organizacional da Net, José Paulo de Freitas. O colaborador passa a enxergar o papel que desempenha em cada linha do resultado financeiro, acredita o executivo. Em 2008, a companhia também ofereceu um MBA em finanças para 35 pessoas que trabalham em níveis gerenciais e de coordenação.

Um dos objetivos dos cursos é formar poupadores. Muitos deles acabam se tornando investidores da própria companhia em que trabalham e, assim, dão mais um passo na cultura capitalista. Esse tipo de funcionário passa a ter preocupações típicas de dono quando se torna acionista. “Além de receber o salário, ele também tem o objetivo de ver suas ações se valorizarem”, afirma o gerente de relações com investidores da Petrobras, Alexandre Quintão Fernandes. A petrolífera treinou 65 mil funcionários sob o programa “Bovespa vai às empresas”. Os que se tornaram aplicadores na bolsa ajudam a dar sustentação aos papéis nos momentos de crise. “O investidor individual tem visão de longo prazo e, no momento de baixa do mercado, não vende suas ações”, afirma Fernandes. A companhia tem um projeto interno de educação financeira para o público feminino e prepara outro voltado para os jovens.

Desde 2002, o programa da bolsa atingiu mais de 80 mil empregados em 262 companhias. Além de apresentar alternativas para a formação de poupança e patrimônio, o programa explica como funciona a negociação de produtos como ações, fundos e contratos futuros. E foi com os colegas da empresa na qual atua, a multinacional suíça ABB, que Guilherme Prado, 24 anos, montou um clube de investimentos, hoje com 20 integrantes. “Eu sempre tive vontade de entrar em bolsa e senti que havia interesse de outros colegas”, conta. O portfólio do clube Audacis Fortuna Juvat tem ações de Banco do Brasil, Cosan, Vale, Petrobras, Pão de Açúcar, Brookfield e Cyrela. Desde o início, há seis meses, já teve valorização de 30%. Guilherme e seus amigos trabalham mais felizes.

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