Oi amigos, tudo bem? Aqui vai um artigo muito interessante do Infomoney, falando sobre Day trade, um assunto que é motivo de muita discussão, vale a pena ler.
Amada por uns, odiada por outros. Motivo de discussões, seja entre profissionais de longa data ou meros iniciantes do mercado financeiro, a análise técnica consegue conquistar adeptos pela possibilidade de, através desse tipo de estratégia, o investidor alcançar lucro através de operações rápidas com determinada ação, muitas vezes não importando o momento atual dessa empresa, do setor ou do próprio mercado como um todo.
Na teoria: análise técnica – ou gráfica – consiste em analisar o movimento passado de uma ação em um gráfico e, através dessa análise, tentar prever os possíveis passos que a ação pode dar nos próximos dias, nas próximas horas ou até nos próximos minutos. Em suma: é o estudo do passado para tentar prever o futuro, tendo como objetivo um horizonte de tempo bem curto, com muitos deles duram menos de um dia – os famosos “day trades.”
Por priorizar o movimento da ação e não o momento da empresa ou do setor em que ela atua, a análise técnica é alvo de críticas por parte dos analistas fundamentalistas, isto é, aqueles que utilizam de diversas premissas macroeconômicas para projetar os resultados futuros da companhia e, posteriormente, avaliar se o preço atual da ação mostra potencial de valorização dentro de um horizonte de tempo mais longo.
1. Não manter posições em aberto = sono tranquilo
Como o Day Trade consiste em uma operação com início e fim no mesmo dia, o investidor termina o pregão com a mesma quantidade de ações que começou o dia. Dessa forma, ele consegue se defender de algumas situações que podem acontecer entre o fechamento de um pregão e a abertura do pregão anterior e que poderiam tirar o sono desse investidor, conforme explica Antonio Montiel, analista técnico e diretor da UM Educacional.
“Tivemos recentemente o aniversário de 10 anos da tragédia de 11 de setembro nos Estados Unidos. Nesse ano, a data caiu em um domingo. Imagina se acontecesse alguma coisa nesta data, com certeza quem estivesse posicionado em ações iria perder o sono”, explica Montiel. Em momentos como esse, uma ação poderia abrir o pregão seguinte com uma cotação muito abaixo do preço do fechamento anterior, formando no seu gráfico o que a análise técnica defina como gap, um espaço de preço entre os candlesticks do gráfico.
2. Ótima opção em momentos de mercado lateralizado
O Day Trade também se mostra vantajoso em momentos em que o mercado encontra-se sem tendência, atuando lateralizado. Dessa forma, mesmo que essa ação tenha breves momentos de forte oscilação – seja para cima ou para baixo –, no longo prazo ela mostra-se intercalada entre dois patamares de preços, deprimindo o retorno adquirido pelo investidor com foco no longo prazo, explica Montiel.
Isso fica bem evidente se tomarmos como exemplo a trajetória do Ibovespa em 2010: no acumulado do ano, o principal índice de ações da bolsa brasileira acumulou uma modesta alta de 1,04%, passando de 68.558 pontos (fechamento de 2009) para 69.304 pontos. Apesar de ter ficado praticamente estável na passagem anual, o benchmark chegou a subir 6,6% na sua máxima do ano (73.103 pontos) e cair 15,9% na mínima do ano (57.633 pontos). Em números absolutos, a distância entre a máxima e a mínima do Ibovespa em 2010 chegou a 15.470 pontos, embora ele tenha fechado o ano avançado apenas 746 pontos ante o ano anterior.
3. Poder ficar vendido sem ter que fazer aluguel de ações
Já Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora e professor do Seu Consultor Financeiro, chama atenção para a possibilidade do trader poder fazer uma operação de venda a descoberto (quando ele aposta na queda do ativo ou do mercado) sem ter a necessidade de alugar essa ação.
Quando você vende uma ação a descoberto – ou seja, você vende uma ação que não possui -, é necessário fechar esse saldo até o final do pregão com a corretora. Para isso, existem duas alternativas: recomprar a ação no mercado e quitar seu saldo negativo, ou alugar esse lote de ações para devolver no futuro. No caso do Day Trade, como a operação é fechada no mesmo dia, você já realiza a venda a seco e recompra o ativo no mesmo pregão, tirando a necessidade de aluguel de ativos.
4. Para os mais experientes, poder se alavancar sem custo
Martins também vê nas operações de Day Trade uma boa oportunidade para o investidor mais experiente poder alavancar suas operações sem custo. Dessa forma, o trader pode fazer uma negociação com um capital algumas vezes mais do que o total que ele tem disponível e, por fechar a operação no mesmo dia, não terá seu saldo no vermelho.
5. Diminui a relação Risco x Retorno
Por ser uma operação de objetivo mais rápido, o retorno esperado pelo investidor também acaba sendo menor. Com isso, o risco desse trade também mostra-se reduzido em relação a uma operação com prazo mais longo.
Toda operação tem que ter uma relação de risco e retorno bem definida. Um trade que vale a pena geralmente tem uma relação de risco e retorno em torno de 3 para 1 – ou seja, para cada 1% que você corre o risco de perder, você tem que ganhar 3%. Num trade diário, o retorno esperado fica na faixa dos 3%, o que deixa o risco da operação na faixa de 1%. Já em um trade de longo prazo, onde o retorno esperado gira em torno de 60%, o risco gira em torno de 20%”, explica Montiel.
6. Aproveitando-se do rali da ação
Se você pega uma ação em tendência de alta e consegue aproveitar um pedacinho desse movimento em um dia, ganhando cerca de 2% ou 3% em pequenas operações de um movimento total de 20% ou 30%. Embora o movimento total da ação tenha mostrado um rendimento muito mais significativo, a duração desse movimento às vezes pode não fazer muito bem ao investidor.
“Você tem que entender que a ação não vai subir 20% ou 30% de uma vez. Ela vai passar por movimentos de correção, podendo até ficar lateralizado”, explica Montiel. Além do fato desse movimento total poder demorar muito tempo para se concretizar, o especialista também argumenta que a ação pode acabar cedendo em um ponto de suporte ou resistência muito forte e vir a reverter essa trajetória.
7. O day trader opera no começo de uma tendência
Outra vantagem apontada pelo diretor da UM Educacional do day trade é que o investidor sempre irá operar no começo de uma nova tendência. Conforme explica Montiel, às vezes uma ação pode estar em alta no longo e no médio prazo, mas no curto prazo a trajetória dela dá sinais de reversão, com os day traders já entrando forte na venda.
Embora não seja uma regra, o investidor de day trade acaba pegando sempre o começo de uma trajetória, conseguindo se antecipar em relação ao investidor que opera com um objetivo mais longo. “O curto prazo contamina o médio, que depois contamina o longo”, complementa Montiel.
8. Resultado rápido (seja ele positivo ou negativo)
Sem entrar no mérito sobre qual das duas estratégias é mais lucrativa se utilizadas por um longo período – buy and hold ou day trade -, um ponto que deve ser destacado é que no day trade você descobre com mais rapidez quando uma operação é ruim ou não, embolsando ganhos no mesmo dia se o trade deu certo ou realizando perdas se a estratégia falhou.
Dessa forma, sabendo alocar de maneira eficiente um stop loss para minimizar suas perdas, o day trade consegue lhe propiciar a chance de abandonar um investimento que não seguiu suas expectativas. Para os investidores com foco na análise fundamentalista, essa movimentação é muito mais limitada, já que essa percepção sobre o sucesso ou fracasso do negócio só poderá ser solidamente fundamentada dentro de um período de tempo maior, podendo chegar a semanas, meses ou até anos.
9. Maior mobilidade para o investidor em casos de imprevistos
Seguindo ainda esta vertente do lucro rápido e também lembrando o primeiro motivo citado (“manter o sono traqnuilo”), o day trade também evita certas dores de cabeça que o investidor posicionado em algum ativo acaba tendo em momentos imprevistos. Vamos pegar como exemplo uma viagem inusitada que esse investidor teve que fazer com urgência, se ausentando por alguns dias do País. Se o mesmo opera em day trade, ele não precisa se preocupar em como anda o mercado nesse meio tempo, já que ele não tem nenhuma posição montada em nenhum ativo.
Já se ele tiver uma estratégia de prazo maior que um dia, ele corre o risco de estar posicionado na ação de alguma empresa, nesse breve intervalo de tempo, se torne vítima de algo extremamente negativo para os seus fundamentos – tivemos recentemente o caso das ações da Marfrig (MRFG3) no começo de agosto e da Mundial (MNDL3, MNDL4) em julho, que despencaram drasticamente em poucos dias. Caso ele não tenha tido acesso a nenhuma dessas informações durante sua viagem, a surpresa quando ele voltasse não seria nada agradável.
Além disso, o investidor também poderia ser vítima de alguma fatalidade que lhe trará muitos prejuízos financeiros. Dessa forma, uma maneira de levantar capital seria se desfazer dos ativos que possui, independentemente do momento atual do seu investimento de longo prazo – ou seja, o case de investimento pode até dar certo no futuro, mas mesmo que ele esteja dando prejuízo até este momento, você não ficará posicionado na empresa por motivos de força maior.
10. Mais fácil de organizar as operações
Por último, o day trade mostra-se vantajoso ao investidor na hora de organizar e mensurar suas operações, tendo em vista que elas possuem um começo e um fim pré-determinado, explica Leandro Ruschel, fundador e diretor da comunidade Leandro&Stormer e colaborador da Invista Maganize, revista de autoria da InfoMoney e lançada bimestralmente pela Money&Markets.
Como as principais preocupações do investidor ficam no ponto de entrada da ação e no ponto de saída – com ambos ocorrendo no mesmo dia -, o trabalho de organização torna-se relativamente mais tranquilo do que em operações realizadas com um prazo mais longo, já que o “objetivo” do trade dificilmente tem um prazo certo para ser alcançado.
