As ações mais negociadas da Bovespa

Oi amigos, tudo bem?

Aqui vai uma reportagem interessante  do site Portal Exame, falando sobre a importância da liquidez no mercado de ações.

Vale desbanca Petrobras como a ação mais líquida; saiba por que a maioria dos investidores gosta dos papéis muito negociados

Embora não seja primordial para ganhar dinheiro, a liquidez das ações está tradicionalmente no topo das preocupações dos investidores. Por liquidez entende-se a facilidade ou dificuldade com que um papel pode ser convertido em dinheiro. As ações que podem ser compradas ou vendidas mais facilmente são conhecidas como “blue chips”. A designação vem dos cassinos americanos – no pôquer, as fichas azuis são as mais valiosas. No mercado, a popularidade destes papéis deriva do fato de serem emitidos por grandes empresas. Transacionadas com frequência, essas ações são responsáveis pela maior parte dos negócios fechados na bolsa, tanto em quantidade de operações quanto em volume movimentado.

O mercado é volátil e qualquer notícia desfavorável pode levar à venda de um papel. Quanto mais líquido ele for, mais simples será o processo. Os compradores são abundantes e as pontas se acham rapidamente”, explica Pedro Galdi, analista-chefe da corretora SLW. No Brasil, a concentração da liquidez é patente: das 467 empresas da Bolsa, apenas 60 integram o Ibovespa, índice que compila os papéis que respondem por 80% das transações financeiras realizadas. Não por acaso, essas companhias entram na mira – e também na carteira – da maior parte dos investidores. “Essa é uma característica de mercados com grau de maturidade relativamente baixo. Nos Estados Unidos, por exemplo, você tem uma quantidade bem maior de papéis e pessoas na bolsa, o que acaba diluindo a liquidez das companhias”, afirma Osmar Sanches, analista setorial da consultoria Lafis.

Se são poucas as eleitas pela maioria dos brasileiros, quem finca posição no lugar mais alto do pódio é a ação preferencial da Vale (VALE5). O papel desbancou neste ano a ação preferencial da Petrobras (PETR4), que, no entanto, ainda é a que tem maior peso no Ibovespa. A carteira do índice, hoje composta por 66 ações, é modificada oficialmente a cada quatro meses. Na última divulgação em maio, o papel da empresa de petróleo permanecia na liderança, posição conquistada em janeiro de 2006 e mantida desde então. De lá para cá, a Vale ultrapassou a Petrobras em volume negociado e ameaça ocupar o primeiro lugar já a partir da próxima reformulação do Ibovespa.

Para o analista Eduardo Matsura, da corretora Souza Barros, são vários os motivos que contribuem para a uma provável virada. A nuvem de incertezas que paira sobre a capitalização da Petrobras, “inadiavelmente” marcada para julho e já postergada para setembro, se junta às dúvidas sobre os riscos da exploração em águas profundas – e sobre o pré-sal – suscitadas com o vazamento de óleo da British Petroleum no Golfo do México. Além disso, a Vale se beneficia de um momento especial para o setor. “Locomotiva da recuperação econômica mundial, a China é a maior importadora dos nossos minérios”, diz Matsura.

Somados todos os fatores, o analista acredita que a Vale deve permanecer na dianteira. “A próxima carteira valerá a partir de setembro, e como a oferta da Petrobras só vai acontecer nesse mês, o papel pode experimentar estagnação e até um pequeno viés de baixa”. Caso a previsão se sustente, será a primeira vez em 19 anos que uma ação da mineradora responderá pela maior participação na carteira quadrimestral do Ibovespa.

A liquidez e os preços

Enquanto as blue chips são negociadas com mais facilidade, ações pouco líquidas são como pedras de gelo tentando atravessar uma peneira: no estado em que se encontram, simplesmente não conseguem passar para o outro lado. Portanto, para se desfazer de papéis de segunda linha, o investidor terá que oferecê-los a um custo mais baixo, especialmente durante as crises e sobressaltos econômicos.

Nestas ocasiões, também fica ameaçada a capacidade dos ativos líquidos escorrerem pela trama mantendo intacto seu preço de venda. Como são transacionados com frequência, os investidores recorrem à venda desses papéis quando o nervosismo se instala no mundo financeiro. Conforme dita a lei da oferta e da procura, a enxurrada de lances acaba fazendo as cotações despencarem. E os grandes investidores estrangeiros – com suas vultosas aplicações – invariavelmente são os primeiros a debandar. “Normalmente eles buscam papéis mais líquidos para poderem entrar e sair do mercando quando quiserem, realocando o capital especulativo”, afirma Sanches, da Lafis.

Não obstante contribua para manter os preços de venda inalterados (pois acredita-se que sempre haverá alguém para comprar), a liquidez também pode abrir uma brecha para a depreciação quando investidores de peso redefinem suas estratégias de aplicação. “Se um grande player resolve se desfazer da sua posição em um ativo, ele vai acabar derrubando o preço da ação porque o mercado percebe esse movimento”, explica Matsura, da Souza Barros.

Quem tiver mil ações da Vale, por exemplo, conseguirá facilmente liquidar sua posição. Pululam compradores interessados no papel e a chance do sujeito receber exatamente o valor já precificado é real. Por outro lado, se o investidor tiver dez milhões de ações, sair de um dia para o outro já não será tão fácil. É como se a água de um balde tivesse de ser derramada em uma garrafa: ao despejar o líquido, dificilmente algumas gotas não seriam derramadas. Esses pingos representam o lucro perdido, o que no mercado é conhecido pelo jargão de “slippage”.

“O problema da venda de lotes grandes é a existência de um lado psicológico embutido. Quando o preço começa a cair, a emoção faz outras pessoas se desfazerem das ações, aprofundando a queda”, completa Matsura. Esse foi o caso da imobiliária Gafisa, que protagonizou episódio emblemático em maio deste ano. Na época, o Equity International, grupo do megainvestidor norte-americano Sam Zell, vendeu parte da sua fatia de ações da empresa. A operação provocou um tombo de 6,2% no preço do papel, mas a queda perdurou por mais três dias, reforçando uma desvalorização que terminou em 18,7%.

Desvantagem

Compradas e vendidas com regularidade, ações mais líquidas geralmente estão bem precificadas no mercado, o que pode desapontar os investidores mais sedentos por emoções. “Existem 200 casas de análise cobrindo uma grande empresa. Esses papéis têm visibilidade enorme e as distorções de preços são mínimas”, afirma Rossano Oltramari, analista chefe da XP Investimentos. Para ele, se a aplicação tem horizonte de resgate estendido, vale a pena buscar retornos mais polpudos com ações de companhias menos populares. “A liquidez é muito importante para os fundos e para quem faz o day trade e opera no curto prazo. No médio e no longo prazo, empresas de menor porte podem entregar crescimentos mais expressivos para pessoas físicas”, finaliza.

Um grande abraço!!!

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